Pacientes com DCNTs em Gana relatam baixo envolvimento no próprio cuidado, aponta estudo qualitativo
O problema
Doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) — como diabetes, hipertensão, glaucoma, acidente vascular cerebral e doença renal crônica — representam um fardo crescente para os sistemas de saúde da África Subsaariana. Em Gana, a gestão dessas condições nos principais hospitais de referência do país foi avaliada sob a perspectiva da centralidade do paciente: até que ponto os pacientes são informados, empoderados e envolvidos nas decisões sobre seu próprio tratamento?
Um estudo fenomenológico qualitativo conduzido nos dois maiores hospitais universitários do país — o Korle-Bu Teaching Hospital (KBTH) e o Komfo Anokye Teaching Hospital (KATH) — ouviu 82 adultos vivendo com DCNTs e 30 profissionais de saúde para mapear essas experiências.
Método
A coleta de dados ocorreu entre janeiro e maio de 2019, por meio de entrevistas individuais em profundidade com dois roteiros distintos: um voltado aos pacientes e outro aos profissionais. As entrevistas exploraram percepções e experiências de empoderamento e envolvimento na tomada de decisão clínica. A análise seguiu a abordagem de análise temática reflexiva com uso do ATLAS.ti, e o Modelo de Cuidado Crônico de Wagner serviu como referencial conceitual.
Entre os pacientes, mais da metade tinha 60 anos ou mais, a maioria era do sexo feminino, e as condições incluíam cânceres, glaucoma, diabetes, hipertensão, AVC e doença renal crônica, entre outras. Quase um quarto vivia com múltiplas condições simultâneas.
Baixo empoderamento: a norma, não a exceção
A maioria dos pacientes relatou não ter sido informada sobre seu próprio diagnóstico de forma clara e direta — as informações ficavam restritas ao prontuário. Quando tentavam fazer perguntas, alguns descreveram reações negativas por parte dos profissionais, que interpretavam as perguntas como desafio à autoridade.
Um paciente com câncer de próstata atendido no KBTH relatou: *