Metástase Coroideana por Carcinoma de Mama: Diagnóstico Precoce Preserva Visão
Apresentação do Caso
Uma mulher de 55 anos chegou ao pronto-socorro com redução visual indolor no olho esquerdo com uma semana de evolução. Ela já tinha diagnóstico estabelecido de carcinoma invasivo de mama esquerda, com metástases ósseas, pulmonares, hepáticas e cerebrais. Ao exame, a acuidade visual era de 20/200 no olho acometido, com segmento anterior sem alterações.
A retinografia evidenciou lesão coriorretiniana amarelada de bordas mal definidas próxima à mácula, associada a edema macular e hemorragia retiniana superficial. A ultrassonografia B revelou massa com reflectividade interna média e descolamento de retina exsudativo. A ressonância magnética de órbita com supressão de gordura em T2 confirmou a presença de massa em forma de cúpula com isointensidade interna no olho esquerdo.
Conduta e Evolução
A paciente foi submetida imediatamente a injeção intravítrea de ranibizumabe (anti-VEGF) e fotocoagulação retiniana. Dez dias após o procedimento, a acuidade visual melhorou para 20/40 — ganho expressivo considerando o quadro inicial. Contudo, no seguimento de seis meses, houve deterioração do estado geral da paciente.
Pontos Clínicos Relevantes
A metástase coroideana é uma condição ocular rara que se origina de tumores malignos sistêmicos, sendo o carcinoma de mama a principal fonte primária. O quadro pode surgir mesmo durante quimioterapia-alvo em andamento. A apresentação típica é a redução visual indolor, particularmente quando há envolvimento macular.
Do ponto de vista prognóstico, a identificação de metástase coroideana é um marcador de comprometimento sistêmico à distância e indica prognóstico clínico reservado. O manejo adequado exige abordagem multidisciplinar, envolvendo oncologistas, radioterapeutos e oftalmologistas. História clínica detalhada, exame ocular completo e exames de imagem são fundamentais para o diagnóstico precoce.