Teleoftalmologia em casas de repouso: alta aceitação, baixa adesão ao acompanhamento presencial
Contexto
A teleoftalmologia tem sido apontada como uma estratégia promissora para reduzir barreiras de acesso a cuidados oculares em populações institucionalizadas. O estudo piloto TOVIS investigou essa abordagem em residentes de casas de repouso, realizando exames oftalmológicos remotos como primeira consulta. Seis meses depois, os pesquisadores avaliaram não apenas a aceitação do modelo, mas também — e talvez mais importante — se os pacientes de fato buscaram o acompanhamento presencial recomendado.
Metodologia
Após o exame remoto inicial, residentes de duas casas de repouso que haviam participado do estudo piloto TOVIS foram contatados por escrito seis meses depois. O questionário investigou três aspectos: utilização do acompanhamento oftalmológico recomendado, razões para não ter seguido a recomendação e avaliação da experiência com o exame remoto, medida por escala Likert de 10 pontos. Dos 86 residentes examinados originalmente, 64 responderam ao seguimento, com média de idade de 82,6 anos e maioria feminina.
Alta aceitação do exame remoto
Os dados revelaram ampla aprovação da modalidade teleoftalmológica entre os participantes. A grande maioria considerou o exame significativo, declarou que participaria novamente e afirmou que recomendaria a oferta a outras pessoas. Esses índices sugerem que a barreira de aceitação tecnológica ou comportamental não é o principal obstáculo nesse público.
O gargalo: da recomendação à consulta especializada
O achado mais preocupante do estudo foi a pronunciada lacuna entre indicação clínica e cuidado efetivo. Mais da metade dos participantes recebeu recomendação de acompanhamento oftalmológico presencial, mas apenas cerca de um quarto desse grupo chegou a consultar um especialista dentro do período de seis meses.
Entre os achados que motivaram as recomendações, destacaram-se catarata com impacto visual relevante, glaucoma e presença de fluido sub ou intrarretiniano. Chama atenção que a maioria desses diagnósticos era previamente desconhecida pelos próprios residentes, o que reforça o valor da triagem remota — mas também evidencia que a detecção isolada não garante desfecho clínico adequado.
Os pesquisadores observaram que nem a gravidade potencial dos achados nem o grau de urgência da recomendação aumentaram de forma significativa a taxa de adesão ao acompanhamento. Em outras palavras, mesmo residentes com condições potencialmente ameaçadoras à visão não buscaram atendimento em proporção maior do que os demais.
Por que os pacientes não seguiram a recomendação?
Entre os residentes que não realizaram o acompanhamento indicado, os motivos relatados com maior frequência foram ausência de queixas subjetivas, falta de desejo de tratamento e dificuldades logísticas relacionadas a transporte ou necessidade de acompanhante. Esse perfil aponta para uma combinação de fatores subjetivos — como a percepção de que